Quais os reflexos do Projeto Pescar?

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Doutorado Gislaine Cristina Pereira

Quais os reflexos do Projeto Pescar em sua vida? Dezesseis jovens de três Unidades de Canoas/RS responderam à essa pergunta e ela foi o ponto de partida da tese de doutorado* que investigou as repercussões do processo de formação, sobre as suas trajetórias. A pesquisadora Gislaine Cristina Pereira escolheu o tema a partir da sua prática de seis anos como educadora social na Unidade Projeto Pescar Sulgás e deu vez e voz para o público beneficiário.

Para Gislaine, ainda que tenha surgido com a missão de ampliar o acesso ao mercado de trabalho para jovens oriundos de contextos de vulnerabilidade social, hoje, a ação formativa implementada no cotidiano do Projeto
Pescar produz efeitos que extrapolam a inclusão no mundo do trabalho.
Identificados com nomes de pedras preciosas, como jaspe, nácar, tanzanite, fluorita e cornalina, os onze meninos e cinco meninas foram mostrando, através dos seus relatos, como acontece o processo educativo e revelaram
que as experiências positivas vão implementando, ainda que de maneira singular, uma revolução de paradigmas, capaz de promover a formação humana, ou seja, desenvolve um ser crítico e capaz de trilhar seu próprio caminho, como podemos observar nos depoimentos abaixo.

“Eu tinha pânico das coisas. Só de pensar o que eu iria fazer depois, um dia depois, um mês depois, um ano depois… Eu não sabia nem se eu conseguiria levantar da cadeira… (silêncio). Hoje eu tomo decisões, consigo pedir ajuda e me disponibilizo a ajudar, eu participo dos meus projetos de vida e sou bem crítica (risos). Eu guio, mesmo com algum medo, não me paraliso mais. Vejo o espelho e fico confiante.”(TANZANITE)
“Eu não sabia como dizer. Eu tinha vergonha de falar. Mas respeitaram meu tempo. Eu pude perceber que eu era daquele jeito (brava), porque assim eu conseguia me defender do mundo que, até então, era muito ruim
para mim. Meu pai estava preso porque eu denunciei. Isso antes me dava culpa, agora me fortalece e eu consigo viver. Cada abraço me fortalecia, cada olhar me protegia, cada sorriso me acolhia, até o ficar em silêncio junto me fazia ver que eu não estava sozinha. Só agradeço… (silêncio e lágrimas).”(CORNALINA)
“Durante o Projeto Pescar, foi o tempo em que eu decidi mudar algumas coisas na minha casa. Eu passei a sentar com a minha mãe todos os dias quando eu chegava do curso e começamos a estudar. Eu comecei a ensinar ela a escrever e a ler. Ela diz que a única pessoa que teve paciência de parar, de lhe ensinar e aceitar seu tempo fui eu. Eu tenho orgulho disso em mim e essa nova postura em casa é reflexo do Projeto Pescar.” (NÁCAR)

Segundo Gislaine, a prática da autoavaliação estabelecida pela Fundação Projeto Pescar é uma estratégia fundamental na qual, por meio da sua
participação ativa, o jovem não apenas avalia suas habilidades ec ompetências, mas participa da elaboração de seu plano de desenvolvimento, com base no diálogo crítico-reflexivo. Essa estratégia potencializa a formação humana, pois o jovem torna-se protagonista
de seu caminho.

*PEREIRA, Gislaine Cristina. JUVENTUDES E FORMAÇÃO HUMANA – UMA ANÁLISE A PARTIR DAS NARRATIVAS AUTOBIOGRÁFICAS DE JOVENS EGRESSOS DO PROJETO PESCAR. Tese. Doutorado em Diversidade Cultural e Inclusão Social – Universidade Feevale. Novo Hamburgo/RS.