Consórcio da Unidade Futuro do Transporte chegou na hora certa na vida de João

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Certificação da 1ª turma da Unidade Projeto Pescar Futuro do Transporte

Nem todas as pessoas que acompanharam a certificação na Unidade Futuro do Transporte, em fevereiro deste ano, imaginam que a parceria entre a Fundação Projeto Pescar, Porto Seco, Setcergs, Comjovem e as 10 empresas que mantém o consórcio para o atendimento de jovens de baixa renda no local, chegou na hora certa na vida de  João Carlos Silveira de Ávila.

Órfão de mãe, o jovem jamais conheceu o pai e cresceu vivendo em abrigos e casas-lares ao lado dos três irmãos menores. Definitivamente sozinho no mundo, mas com muita resiliência e persistência, João usou a tragédia pessoal como combustível para mudar seu rumo. Além da bolsa de Ensino Médio, cursou logística na Unidade Futuro do Transporte e conquistou uma vaga como jovem aprendiz na área administrativa de uma empresa de transportes, fez  cursos de Dicção e Oratória, Criatividade, Inovação e Mudança no Ambiente de Trabalho e Desenvolvimento Pessoal. E ainda cursou inglês, por meio de um programa de estudo ofertado pela embaixada dos EUA. 

Emprego

Depois de concluir o Projeto Pescar, João tinha apenas três meses para deixar a casa-lar, quando perdeu o emprego. Preocupado, compartilhou o currículo profissional na rede social Linkedin, pedindo uma nova chance. O superintendente de Operações de Produtos do Sicredi, Felipe Sessin e Silva, viu a postagem, olhou o currículo e impressionou-se com a determinação. Era um sábado à tarde, e Silva o contatou por e-mail sugerindo uma conversa na segunda-feira seguinte. O superintendente reuniu um grupo de especialistas da empresa para fazer uma única entrevista.

– A vida o fez sofrer bastante e ele se blindou. Mas é uma máquina de falar, com muita naturalidade, e nos assustou porque tem muito conteúdo de literatura, política e línguas estrangeiras. A cena mais marcante foi quando perguntei o que ele fazia nas horas vagas. O João puxou uma pastinha com certificados e folhas repletas de nomes de empresas e pessoas. Ele pedia emprego nas horas vagas e guardava todas os contatos – revela Silva. 

João foi contratado por uma empresa terceirizada, prestadora de serviços para o Sicredi, para uma vaga que costuma ser destinada a universitários. O contrato tem duração de nove meses.  De segunda a sexta, nos períodos da tarde e da noite, João atende os associados por telefone. Silva determinou a colocação de um tutor para acompanhar o desempenho do novo colaborador. Se ele conseguir uma vaga na universidade, em 2020, será contratado em definitivo. 

– No início, há um mês, foi mais complicado porque ele tinha dificuldades de socializar. Mas já está totalmente adaptado à função. Ele é um guerreiro, um diamante a ser lapidado – resume Silva. 

Para complementar a renda, João dá aulas particulares de inglês nos finais de semana. Prestes a concluir o Ensino Médio, quer fazer o vestibular para Direito e ser contemplado com uma das bolsas ofertadas pela Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP). Sonha em trabalhar com direitos humanos para ajudar jovens que enfrentam a mesma situação vivenciada por ele. Esta será apenas a primeira das quatro faculdades que pretende cursar. Ainda virão Letras, História e Relações Internacionais. No futuro, quem sabe, pode tentar uma vaga como diplomata. João se define:

– O João é uma pessoa militante, é gay, negro e veio do gueto. É uma pessoa íntegra e de bom caráter. Tem tudo para dar certo. 

Conheça mais a história. Fonte: Zero Hora, 23/08/2019, Caderno DOC