GaúchaZH conta a história de jovem da Unidade Agibank que viveu a experiência do trabalho infantil

Egressos Léo, Tamiris e Tamires transformam a vida de jovens do Projeto Pescar
9 de janeiro de 2020
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Marco Bastos, hoje com 18 anos

Filho de pai e mãe divorciados, Marco Bastos conciliava aulas pela manhã com a atividade de auxiliar de pedreiro pela tarde. A rotina difícil valia a pena no momento: era tratado com carinho por colegas, ganhava almoço e café da tarde e, a cada semana, recebia dinheiro para comprar balas, roupas e, talvez no futuro, um videogame.

Meio ano depois, seduzido pela possibilidade de ganhar mais e cansado de conciliar duas rotinas, Marco largou os estudos: trabalhava de manhã e à tarde como auxiliar de pedreiro, em funções que o deixavam exausto. A escolha não foi fácil e lhe pesava o peito: por ironia da vida, o adolescente trabalhava em frente a uma escola e a obra culminaria em uma creche. O som de jovens de sua idade brincando no recreio lembrava o que ele perdia.

— As crianças saíam para a frente do colégio, e eu não podia brincar, tinha que ficar trabalhando. Me sentia muito mal quando via isso, todo dia repensava se eu queria estar ali. Mas eu queria comprar minhas coisas, poder comer o que eu queria — conta o rapaz. Veja a história completa: aqui

Marco Bastos, hoje com 18 anos

Marco Bastos parou de estudar aos 12 e deixou a escola para ser ajudante de pedreiro: levava os tijolos de um lado para outro e misturava sozinho o cimento. Após dois anos convivendo entre adultos, adquiriu a conversa e o semblante fechado dos mais velhos. Aos 18, participou do Projeto Pescar como jovem aprendiz no Agibank e sente estar no caminho certo.

Para ele, uma criança não deveria passar pelo que passou.

— Como eu ia prestar atenção na aula se sabia que, depois do meio-dia, teria que trabalhar na obra a tarde toda? — questiona Marco.

A história ilustra a realidade do trabalho infantil, que afeta 1,8 milhão de jovens de cinco a 17 anos no Brasil, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda segundo o IBGE, no Rio Grande do Sul, 91 mil jovens de 14 a 17 anos trabalham de forma regular e irregular. Destes, 6 mil estão em Porto Alegre e 31 mil na Região Metropolitana.

Para a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho infantil impede crianças e adolescentes de viver uma infância adequada. Em geral por falta de dinheiro, os mais novos são obrigados a trabalhar em obras, feiras, borracharias, sinaleiras, mendicância na rua e em casas de família, na limpeza e no cuidado de outras crianças.