Egressa da Harman descobriu o gosto pela matemática no curso

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11 de outubro de 2019
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Michele Beatriz Bonne cresceu no interior, em uma cidade pequena, acompanhando a mãe, diarista, e a lida no campo do pai, com muito trabalho pesado na criação do gado e nos afazeres da roça.

Segunda filha de uma família de quatro filhos, acompanhou o entusiasmo do irmão quando ele entrou no Projeto Pescar. Viu a mudança de atitudes e a felicidade dos pais quando o primogênito terminou o curso e começou a trabalhar por indicação da empresa onde havia concluído a formação.

O fato dele ter crescido tanto, em tão pouco tempo, fez com que ela percebesse que também poderia crescer. Quis seguir o mesmo caminho do irmão, esperou o último ano do Ensino Médio, e com 17 anos fez a inscrição no Projeto Pescar.  Na empresa de alto-falantes, ingressou no curso de iniciação profissional em instalador automotivo e, em pouco tempo, aguçou a curiosidade e o gosto pela matemática. Com os inúmeros cálculos, passou a entender de áudio, som, sistemas de alimentação, frequência e outros.

Quanto mais aprendia, mais vontade tinha de complementar os estudos. A visita ao Museu de Ciências e Tecnologia e à Feira de Profissões da PUC, lhe fez conhecer realidades diferentes da sua e revelaram o desejo de cursar uma graduação nesta universidade. 

Michele atuando como auxiliar na engenharia de produção na empresa

A MUDANÇA

A capacitação lhe fez empreender novos rumos. Levou no coração o apoio de todas as pessoas que participaram de sua vida durante o Projeto Pescar. A união dos voluntários, dos apoiadores, das lideranças e dos colaboradores da empresa, acreditando e apostando na turma, vinha à lembrança a cada novo desafio.

Foi indicada por uma amiga para trabalhar como vendedora e conquistou seu primeiro emprego. Um ano depois voltou para a empresa onde concluiu a capacitação, como colaboradora na produção. Depois de oito meses na fábrica, participou de um recrutamento interno e foi selecionada para atuar como auxiliar de engenharia.

Com a vivência em áudio e eletrônica, foi natural a escolha por Engenharia Elétrica quando prestou vestibular. Cursou o 1º semestre e, com a nota do Enem, conquistou uma bolsa de 100% para mudar de universidade e fazer a graduação na faculdade dos seus sonhos: a PUC.

A maior vitória pessoal foi aprender a lidar com as pessoas, a viver em comunidade, no ambiente profissional, sabendo se relacionar. Ao participar do curso passou a conviver com pessoas diferentes, com histórias e crenças muito distantes da sua realidade e isso expandiu os seus horizontes. O “bixo do mato”, como se descreve, ficou para trás.

Hoje, a egressa é analista de tecnologia e inovação/CCR ViaSul

“Todos os caminhos que o Projeto Pescar abriu na minha vida, os ensinamentos, são imensuráveis. Se eu pudesse deixar um conselho para outros jovens seria o de que devem acreditar nos seus sonhos, porque a vida nem sempre é fácil.  Na maior parte do tempo ela é muito difícil, tem que batalhar, tem que correr atrás, mas não é porque as pessoas têm uma realidade economia ruim, que isto deva ser um empecilho. Eu sei que cada um tem a sua história, a sua trajetória de vida, mas o fato de eu vir de uma família humilde, de uma cidade pequena, diminuíam muito as minhas  chances de ser alguém na vida, de fazer uma faculdade, mas o Projeto Pescar me fez perceber que era possível.

Que quando a gente sonha, luta, se consegue as coisas. Então não desistam dos seus sonhos, corram atrás. As vezes é difícil acertar de primeira na profissão e, se os seus projetos não se realizarem, não tem problema. Nunca se sinta derrotado porque às vezes é melhor não se concretizar um sonho do que levar um tombo depois. Não é mesmo?”